Suporta o teu exílio, pois ele é a vontade de Deus. Que grande ganho ele será para ti! Viverei nesta vida, ó meu Jesus, e a esperança e o silêncio serão a minha força enquanto durar esta vida miserável. Acende no meu coração, Tu, meu Criador e meu Deus, esta bela chama do teu amor. [...] Ó centro único de toda a minha felicidade, ó meu Deus, quanto mais tempo terei de esperar? [...] Bem vês, Senhor, que o meu mal não tem remédio. [...] Quando, Senhor, quando? Até quando? [...]
Ó almas santas, que, livres de todos os tormentos, já sois felizes no Céu, nessa torrente de supremas delícias, como invejo a vossa felicidade! Ai de mim! Por piedade, pois estais tão perto da fonte da vida, já que me vedes morrer de sede neste mundo, concedei-me um pouco dessa água fresca.
Ah! Almas afortunadas, confesso que gastei mal os meus talentos, que guardei mal uma pedra que é tão preciosa. Mas louvado seja Deus! Sinto, no entanto, que há remédio para esta falta. Almas benditas, fazei-me o favor de me ajudar! Também eu, uma vez que não encontrei aquilo de que a minha alma necessitava no repouso e na noite, também eu me levantarei como a noiva no Cântico dos Cânticos e buscarei Aquele que a minha alma ama: «Levantar-me-ei e percorrerei a cidade, pelas ruas e pelas praças, procurando aquele que o meu coração ama» (Cant 3,2); e sempre O buscarei, buscá-lo-ei em todas as coisas e não pararei até O encontrar à entrada do seu reino.