Quarta-Feira, 22 De Abril : Santa Hildegard de Bingen


As almas racionais têm origem no Deus verdadeiro: têm de escolher o que lhes convém e de rejeitar o que desagrada a Deus, pois conhecem o bem e o mal no seu íntimo. Deus, que é único, concebeu na energia do seu coração uma obra precisa e singular, e multiplicou magnificamente essa obra. Pois Deus é um fogo vivo, um fogo pelo qual as almas respiram, um fogo que existia antes do princípio, que é a origem e o tempo dos tempos. A vontade de Deus permeia inteiramente o mundo perecível, nele inspirando o termo do mundo, que é a eternidade. A omnipotência de Deus possui a plenitude de uma temperança feita de equilíbrio; não tem princípio nem fim, e tem um alcance que lhe permite realizar tudo o que deseja, sem nenhuma exceção. À perfeição que permite ao poder de Deus tudo subjugar está unido o amor, que é uma espécie de tranquilidade na ação; pois o amor cumpre na perfeição a vontade de Deus — que é a fonte da paz. Mas o amor assume diferentes formas, tão numerosas como as virtudes que operam no homem: o amor é a fonte de todo o bem. O homem tem de dirigir todas as intenções do seu coração para este verdadeiro sol. É neste olhar amoroso que a presciência de Deus se manifesta: o amor e a presciência estão em harmonia. [...] A pessoa que escolhe submeter-se ao amor ama aquilo que há em Deus, contempla Deus na pureza da sua fé e nada Lhe oferece que seja mortal, mas conhece desde já nas alegrias celestiais, e Deus previu desde toda a eternidade que este homem se uniria a Ele.