«O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» […] A lei do sábado era, no início, da maior importância, pois ensinava os judeus a serem pacíficos e cheios de humanidade para com o seu próximo; a crerem na sabedoria e na providência de Deus Criador. […] Quando Deus lhes deu a lei do sábado, fê-los compreender que queria que eles se abstivessem de todo o mal, não realizando trabalho algum, salvo a preparação do alimento para todos (cf Ex 12,16). No Templo, havia mais trabalho nesse dia santo do que nos outros dias. […] Deste modo, a sombra da Lei preparava a luz da verdade plena (cf Col 2,17).
Cristo terá então abolido uma lei tão útil? De modo nenhum: levou-a ainda mais longe. […] Eles eram agora convidados a imitar o amor de Deus pelos homens segundo esta palavra: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6,36). Deixou de ser necessário fixar um dia de festa para aqueles que eram convidados a fazer da sua vida uma festa, como escreve o apóstolo Paulo: «Celebremos a festa, não com fermento velho, nem com fermento de malícia e perversidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade» (1Cor 5,8). […] Que necessidade havia de uma lei do sábado para o cristão, que passa a sua vida numa celebração contínua e sempre a pensar no Céu? Sim, irmãos, celebremos este sábado celeste e contínuo.

