O primeiro sinal do amor foi Jesus ter-nos dado a sua carne a comer e o seu sangue a beber: eis uma coisa inaudita, que exige de nós admiração e estupefacção.
O que é próprio do amor é dar sempre e sempre receber. Ora, o amor de Jesus é, ao mesmo tempo, pródigo e ávido: dá tudo o que tem e o que é; e recebe tudo o que nós temos, tudo o que somos. Ele tem uma fome imensa. [...] Quanto mais o nosso amor O deixa agir, mais O desfrutamos amplamente. Ele tem uma fome imensa, insaciável. Ele bem sabe que somos pobres, mas não tem isso em conta. Faz-Se a Si mesmo pão em nós, fazendo desaparecer no seu amor, antes de mais, as nossas más inclinações, as nossas faltas e os nossos pecados. Depois, quando nos vê puros, chega ávido de tomar a nossa vida e de a transformar na sua, a nossa cheia de pecados, a sua cheia de graça e de glória, totalmente preparada para nós, bastando para isso que renunciemos a nós próprios (cf Mt 16,24). [...] Todos aqueles que amam me compreenderão. Ele faz-nos o dom duma fome e duma sede eternas.
A essa fome e essa sede Ele dá a comer o seu corpo e o seu sangue. Quando O recebemos com dedicação interior, o seu sangue, pleno de calor e de glória, jorra de Deus para as nossas veias. O fogo pega dentro de nós e o gosto espiritual penetra-nos a alma e o corpo, o gosto e o desejo. Ele permite-nos assemelharmo-nos às suas virtudes: vive em nós e nós nele.

